História”
simplesmente não existiu? Se partirmos da ideia de que estudamos a
história dos homens, deveríamos compreender então que a “Pré-História”
faz menção a todos os acontecimentos, experiências e fatos que são
anteriores à própria existência humana. Contudo, ao abrimos o livro
didático, observamos a estranha presença dos “homens pré-históricos”
nesse período que se inicia há cerca de 2 milhões de anos e vai até 5000
a.C..
Para compreendermos esta divergência, devemos levar em conta
que as formas de se organizar o passado são múltiplas. No nosso caso,
muitos dos livros de história adotam as convenções de uma periodização
estabelecida no século XIX. Para os historiadores daquela época, só era
possível reconhecer ou estudar o passado através do manuseio de fontes
escritas. Por isso, a “Pré-história”, na visão destes estudiosos, abarca
toda a experiência do homem anterior ao desenvolvimento da escrita.
Atualmente, com a transformação dos sentidos da ciência
histórica, sabemos que os homens pré-históricos não podem ser
arbitrariamente excluídos da “História”. Por meio dos vestígios
materiais, pinturas e outras manifestações, vários historiadores se
lançam ao instigante desafio de relatar sobre o passado dos homens que
viveram há milhares de anos. Ao contrário do que muitos pensam, estes não eram simples versões mais próximas dos primatas ancestrais.
Nesse diversificado período, podemos observar a luta travada pelos
primeiros homens em seu processo de adaptação às hostilidades impostas
pela natureza. Ao longo desse processo de dominação, também é possível
ver que estes sujeitos da história não estavam somente preocupados em
garantir a sua sobrevivência. Por meio da pintura rupestre, podemos
dialogar com os comportamentos, valores e crenças que surgem nesse
remoto tempo.
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